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22 de maio de 2013

Dicionário feito por crianças revela a adultos um mundo que já esqueceram


Um professor colombiano passou dez anos coletando definições de seus alunos e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo puros, lógicos e reais

São definições cheia de poesia e sabedoria, apesar da pouca idade de seus autores. Ou talvez por isso mesmo.
Vão desde A de adulto (“Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si“, segundo Andrés Felipe Bedoya, de 8 anos), até V de violência (“A parte ruim da paz“, na definição de Sara Martínez, de 7 anos).

O dicionário está no livro “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”, uma obra que surpreendeu ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá, no final do mês de abril. A surpresa aconteceu especialmente porque o livro foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano.

“Isso me faz pensar que o livro continua revelando, continua falando sobre as pequenas coisas”, disse à BBC Mundo Javier Naranjo, que compilou as definições feitas por crianças colombianas.

“Eles têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos”, diz.

                             




6 de fevereiro de 2013

LIVROS DA ESTANTE....







A história é passada em alguns bilhões de anos no futuro, e nos apresenta Diaspar, a última cidade da raça Humana, fisicamente bastante similar tudo considerado, um modelo de ambiente de perfeição auto-sustentada. Diaspar é totalmente - salvo por túneis de ventilação - isolada do mundo ao redor, do qual só um imenso deserto pode ser visto, protegida por um enorme domo opaco. Dentro, o conforto material e intelectual dos estáveis dez milhões de habitantes vem sido mantido com perfeição pelas máquinas criadas há tanto tempo, especialmente pelo Computador Central - e como em toda a utopia, sempre tem um chato.


E ele é Alvin, que nunca não se satisfaz com tudo dado de mão aberta em Diaspar: desde cedo, ele quer ir além de suas fronteiras, mesmo que o que demonstra existir do lado de fora não seja exatamente encorajador.


Entra em cena Khedron, o Bufão de Diaspar, sempre disposto a agitar um pouco da ordem pública da cidade, dando a Alvin ferramentas para ir adiante com sua inusitada e preocupante mania. No que resulta disso, nem Khedron consegue enfrentar.


Ocorre que um bilhão de anos de Diaspar são montados em premissas falsas, que começam a cair quando Alvin descobre uma outra cidade, bastante diferente de Diaspar, Lys (que é mais uma região com diversas vilas), situada bem além do deserto ao redor de sua cidade.


A sociedade em Lys é bastante diferente da projetada em Diaspar. Lys não só conhece a presença de Diaspar, como a monitora. Em Lys, as pessoas levam um modo de vida voltado ao cultivo do solo (há uma natureza exuberante naquele terreno), com alguma vantagem tecnológica: mas são todos hábeis telepatas, fruto do planejamento genético e evolução após um bilhão de anos, sendo ainda grandes geneticistas e biólogos; enquanto que em Diaspar vivem dez milhões de diletantes ("todos são artistas"), dependendo inteiramente de máquinas para o que for. Os habitantes de Lys nascem e morrem em cerca de dois séculos, os de Diaspar são gerados já crescidos pelo Computador Central e tutorados por casais dispostos a ajudar nos primeiros vinte anos, para ajuste social e enquanto suas memórias não florescem - é como se já nascessem sabendo, resultado de inúmeras vidas com circuitos de memória armazenados após mil anos por vida, quando em geral decidem que já "está bom" e têm os corpos desmanchados pelo sistema da cidade. Sim: sexo, somente, para recreação. Utopia, pois. O critério de reinserção dos que já morreram na sociedade é de acordo com uma estatística de perfil de compatibilidade.


É óbvio que ambas as sociedades estão em isolamento e estagnação, devido a um grande temor do passado, e que precisam romper isto: a arcadiana Lys e a tecnológica Diaspar.


Há uma forte semelhança entre Alvin e Neo, da - por enquanto - trilogia The Matrix: ambos vêm de uma última cidade do Homem, criada por temor a um inimigo externo. E, principalmente: ambos são variações únicas de seus respectivos meios criadas pela máquina de tempos em tempos para testar o sistema, e levar tudo e todos a um novo patamar.


Para retratar o quão longe o ser Humano foi, Clarke abusa dos números: as estimativas mais modestas são na casa de mil anos. Seres e eventos de milênios, milhões e bilhões de anos perambulam pela história - grandiosidade que faz parte do sense of wonder que o autor é um mestre.


No final, A Cidade e as Estrelas acaba sendo uma história sobre eternidade - uma que mostra que nada dura para sempre.

24 de outubro de 2012

Revista adia publicação de estudo de papiro que cita 'mulher' de Jesus



                              



A revista científica "Harvard Theological Review" vai adiar a publicação de um estudo da Universidade Harvard, nos EUA, sobre um papiro que pode sinalizar que Jesus Cristo tinha uma mulher.

O objetivo é submeter o fragmento de texto a análises laboratoriais independentes e mais detalhadas para comprovar sua autenticidade, segundo informou o diretor de comunicação da Faculdade de Teologia de Harvard, Kit Dogson, ao site LiveScience. Todos esse processo pode levar de semanas a meses.

A pesquisa da autora Karen King deveria ser publicada na edição de janeiro de 2013 da revista. Na opinião de Hershel Shanks, da Sociedade de Arqueologia Bíblica, a retirada do documento é "vergonhosa".





15 de outubro de 2011

Dica manolos...


      Toda nudez será castigada (Arnaldo Jabor, 1973)



Toda nudez será castigada é um filme de Arnaldo Jabor. Dizer isso é muito pouco. PoisToda Nudez, antes de tudo, é uma adaptação de Nelson Rodrigues, e nesse detalhe indispensável o teatro e o cinema se aproximam para o desenlace de uma tríade: a verdade, a mentira e a encenação. Por isso, a roupa decotada é o rateio do nosso ponto de vista; os corpos impuros estão na base de todo movimento decisivo – a corrida do garoto, o rastejo do homem carente; a nudez que produz o castigo está no limite da impostura que revela uma nova alma corrompida para a verdade. Para a verdade, e não para a mentira. Pois Toda Nudez não é um filme, senão um desfile. 

19 de agosto de 2011

Dica manolos...


Blade Runner - O Caçador de Andróides,
(Blade Runner
)
de Ridley Scott
(1986)

 

O desenvolvimento da sociedade do capital é o desenvolvimento ampliado de suas contradições sociais, seja no campo datécnica e da tecnologia, seja no da sociabilidade e subjetivadades humanas e também do ecossistema urbano-social. Oestranhamento atinge o trabalho e a reprodução social, o que significa que desefetiva a memória e a identidade do homem, dilacerando seus referentes de espaço-tempo, comprimindo-os e imprimindo neles sua marca indelével. A manipulação de homens e coisas assumem dimensões cruciais. A sociedade burguesa hipertardia tende a se tornar uma imensa coleção de múltiplos objetos-mercadorias complexas criadas pelas novas tecnologias de engenharia genética. No limite, a produção demercadorias atinge a produção de supostas inteligências artificiais e de objetos-andróides no limiar da hominidade. Na verdade, na medida em que não se abole o sistema do capital, ele tende a instituir formas sociais estranhadas mais desenvolvidas, abrindo um campo de hominização dessumanizada (o que é a própria bárbarie social).
Temas-chaves: técnica e tecnologia, capital e processo civilizatório, ecossistema social e contradições do capital, identidade e memória social, trabalho estranhado e tempo de vida.
Filmes relacionados: “Matrix”, dos Irmãos Wachowski; “Metropólis”, de Fritz Lang; “2001-Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick; “IA - Inteligência Artificial”, de Steven Spielberg; “Eu, Robô”, de Alex Proyas; “Gattaca- A Experiência Genética”, de Andrew Niccol.

19 de julho de 2011

E "Capitão Planeta" vai virar filme!






Cartoon Network se associou a um dos produtores de TransformersDon Murphy, para fazer um filme do Capitão Planeta. Os defensores da Terra vão estrear no cinema não em animação, mas em live-action.
Ainda não há roteiristas contratados. Criação do fundador da Turner (dona do Cartoon Network), Ted TurnerCaptain Planet and the Planeteers estreou na telinha em 1990 com forte apelo ambientalista. As aventuras dos cinco jovens que combinavam os poderes de seus anéis para formar o Capitão Planeta duraram seis temporadas.
"As mensagens do Capitão Planeta estão mais atuais do que nunca", diz no comunicado o presidente da divisão de animação da Turner, Stuart Snyder."Sentimos que essa equipe pode trazer o primeiro herói ecológico à vida, em um filme poderoso e não apenas pertinente como divertido."
Murphy produz o filme com Susan Montford por meio da sua Angry Filmworks.


20 de junho de 2011

Filmagens de Faroeste Caboclo
























Um dos maiores sucessos dos anos 80 e da Legião Urbana, Faroeste Caboclo foi composto quando Renato Russo tinha apenas 19 anos. Virou um verdadeiro clássico do rock nacional e um desafio para ver quem era capaz de decorar todos os 159 versos, dispostos em 9 minutos sem errar nadinha. A música conta toda a história de João de Santo Cristo, desde a infância pobre, como começou a ter uma conduta não muito exemplar, até ele chegar a Brasília, se embrenhar no crime, enriquecer e ter uma reviravolta depois de se apaixonar perdidamente por Maria Lúcia e com um final digno de enredo hollywodiano, a saga termina com um duelo entre o protagonista e o vilão Jeremias.
Sem muito esforço, só de conhecer a música, dá pra saber que isso daria um bom roteiro e que a chance de fazer sucesso é imensa, já que é uma música que embalou as gerações de 1980, 1990, 2000 e continua sendo um hit nessa década de 2010.
A produção do filme vem seguindo a todo vapor e o diretor René Sampaio tá vendo que trazer esse clássico musical para as telonas não é algo tão simples assim. Os produtores racharam a cuca para encontrar uma locação que parecesse com a Ceilândia dos anos 70, onde João de Santo Cristo viveu. E para dar liga à trama já conhecida, foi preciso criar alguns personagens, para poder compor melhor o roteiro. O quarteto principal e já conhecido do público formado por João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira), Maria Lúcia (Ísis Valverde), Jeremias (Felipe Abib) e Pablo (César Troncoso) ganharam a companhia de um senador, pai de Maria Lúcia (vivido por Marcos Paulo), de um policial corrupto interpretado por Antônio Calloni e de alguns outros que vão compor os diálogos todos.
A ideia é que esses novos personagens ajudem a explicar melhor passagens que não ficam muito claras na música. Além de reforçar várias cenas clássicas, principalmente o duelo final. O filme ainda não tem previsão de estreia.
Veja algumas fotos das filmagens.



                                                        Maria Lúcia



Jeremias (ao centro) na Rockonha



                        Santo Cristo e Maria Lúcia com os amigos "playbas"





2 de junho de 2011

Dica manolos...



Malu de Bicicleta






O filme é baseado no livro de Marcelobens Paiva e conta a história de Luiz Mário (Marcelo Serrado), um empresário mulherengo, que trabalha na noite paulistana e tem uma vida baseada em mulheres, noite e dinheiro. Para se livrar do medo de relacionamentos sérios ele viaja para o Rio de Janeiro e lá é atropelado pela bicicleta da jovem e bela Malu (Fernanda de Freitas). Os dois logo se envolvem e vivem um lindo romance que é abalado quando ele descobre uma enigmática carta de amor.


9 de maio de 2011

DICA MANOLOS

                                                        
                           ANTES QUE O MUNDO ACABE!! 

        
                                      

Antes que o Mundo Acabe conta a história de Daniel, um menino de 15 anos, megulhado em seu pequeno mundo com problemas que parecem insolúveis: uma namorada que não sabe o que quer, um amigo que está sendo acusado de ladrão e uma pequena cidade que vai ter que ser deixada pra trás.

Tudo acontece quando ele recebe uma carta do pai que nunca conheceu e já nem lembrava que existia. Através das cartas e fotos enviadas pelo pai, Daniel descobre que o mundo é bem maior do que aquele que até então conhecia. Maria Clara, a irmã pequena de Daniel, observa tudo o que acontece à sua volta e, com um olhar crítico, narra esta história. Uma história em que parece que tudo vai acabar: os ursos negros, o suco de laranja, as tribos poliândricas e a pacata vida em São Pedro do Sul.

                                                            O LIVRO


Antes que o Mundo Acabe, o livro de Marcelo Carneiro da Cunha, é um projeto narrativo que une texto e fotos em uma experiência de propor aos leitores do livro uma visão das diferentes culturas existentes no mundo, para propor ao leitor que reflita sobre a diversidade e sobre a sua realidade.
O livro propõe ao leitor o exercício da mais reveladora e crítica ação humana: o olhar atento e informado. Através desse olhar despertado, teremos leituras da realidade imediata, e percepção de outras realidades que compõe o nosso mundo.
O livro é composto a partir de uma estrutura epistolar. Porém, para não se limitar ao diálogo epistolar tradicional, o livro adiciona imagens ao diálogo, na forma de fotografias trocadas juntamente com as cartas, e ainda tem como suporte narrativo a vida de Daniel, o protagonista, e os elementos que a compõe.
Ainda como elementos da composição do projeto narrativo que construiu esse livro, temos a história pessoal de seu narrador, Daniel, um garoto de seus dezesseis anos, vivendo em uma cidade grande brasileira, seu amigo, sua namorada, seus pais. Uma realidade compreensível, humana, complexa, que serve como base afetiva para a construção da narrativa mais ampla. Dessa forma o livro foi construído e lançado em 2000. Ele foi premiado pela Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil, com o selo de Altamente Recomendável, e já se encontra em sua 4ª edição. 

26 de abril de 2011

TRÊS IRMÃOS





Numa grande e misteriosa casa vivem três irmãos. 
Cada um é diferente do outro. 
No-entanto, se você procurar distinguir irmão de irmão, 
descobrirá que todos três se parecem muito entre si. 
O primeiro não está em casa — ainda não chegou. 
O segundo estava, mas chegou e se foi. 
O terceiro, o menor dos três, está em casa, pois se não 
estivesse seus dois irmãos não poderiam existir. 
Contudo, a existência do terceiro só pode ser avaliada porque 
o primeiro se transformou no segundo. 
E, se você olhar bem para o terceiro 
o primeiro e o segundo é que virão à sua lembrança. 
Decifra a charada: são os três realmente um só? 
São apenas dois? Ou talvez nenhum? 
E se, cara menina, seus nomes você descobrir 
saberá que são três poderosos reis 
governando juntos um grande reino, 
e são eles próprios esse reino, 
que dominam em pé de igualdade. 
Manu ouvira atentamente. Depois, suspirou: 
— Santo Deus! Esta é mesmo difícil! Não tenho a menor 
idéia da resposta e nem sei por onde começar. 
— Experimente! — disse Mestre Hora, estimulando-a. 
Manu repetiu a adivinhação, procurando o sentido; em seguida, 
sacudiu a cabeça c confessou: 
— Não sei mesmo! 
Enquanto isso, Cassiopeia, que os tinha acompanhado, estava 
junto de Mestre Hora e observava Manu cuidadosamente. 
— Bem, Cassiopeia, você que sabe tudo com meia hora de 
antecedência, responda: Manu resolverá a charada? — perguntou 
Mestre Hora. 
A resposta apareceu nas costas da tartaruga: resolverá. 
— Está vendo? — disse ele à menina. — Você vai acertar, 
Cassiopeia nunca se engana! 
Manu franziu a testa, esforçando-se para adivinhar. O que 
podiam ser os três irmãos morando na mesma casa? Evidentemente 
não se tratava de seres humanos. 
Aqui, porém, eram três irmãos que de certo modo se transformavam 
um no outro? Seria alguma coisa como flor e fruto, 
semente? Talvez fosse isso: a semente era o menor dos três "irmãos", 
e sem a semente a flor e o fruto não existiriam. Mas na 
charada olhando-se para o "terceiro irmão", eram o primeiro e o 
segundo que se v i a m . . . Não dava certo também! 
Os pensamentos da menina percorriam todos os campos; por 
mais que se esforçasse não conseguia encontrar uma pista. Mas 
Cassiopeia afirmara que ela acharia a resposta... Começou então 
a repetir lentamente a charada. Quando pronunciou as palavras: 
"O primeiro não está em casa, ainda não chegou" viu a tartaruga 
piscando para ela e na sua carapaça apareceram depressa, desfazendo-
se imediatamente, estes dizeres: aquilo que eu sei. 
Embora não estivesse olhando para a tartaruga, Mestre Hora 
sorriu e disse: 
— Fique quieta, Cassiopeia, não precisa dar palpites. Manu 
vai encontrar sozinha a resposta. 
Naturalmente a menina leu o que aparecera nas costas da 
tartaruga e começou a imaginar o que significaria aquilo. Que 
é que Cassiopeia sabia? — que ela ia decifrar a charada? mas isso 
não adiantava muito! Que mais podia ser? Ah! Cassiopeia tinha 
conhecimento das coisas "antes" de acontecerem... então conhecia. 
— O futuro! — exclamou Manu. — O primeiro não está 
em casa — ainda não chegou, isto quer dizer o futuro. O segundo 
estava, mas chegou e se foi — significa o passado. 
Mestre Hora acenou afirmativamente, sorrindo satisfeito. 
— Mas — continuou a menina pensativa — agora é o mais 
difícil: o que será o terceiro? É o menor dos três, sem ele os dois 
outros não podem existir... e é o único que está em casa... 
Refletiu u m pouco e gritou de repente: 
— É "agora!" Ê este momento! O passado é formado pelos 
momentos que se foram; o futuro pelos que ainda vão chegar e 
nenhum dos dois pode existir sem o presente. Acho que acertei! 
As faces de Manu estavam coradas de entusiasmo. 
— Mas o que quer dizer o seguinte: "A existência do terceiro 
só pode ser avaliada. Por que o primeiro se transformou no 
segundo?" Ah! já sei, deve significar que o presente só existe porque 
o futuro já virou o passado. 
Olhou para Mestre Hora, cheia de espanto: 
— É verdade, e eu nunca tinha pensado nisso antes. Mas 
então existe realmente o presente, ou só o passado e o futuro? 
Agora, por exemplo, quando falo no presente, ele já se tornou pass 
a d o . . . assim, compreendo também que olhando para o terceiro 
irmão, é o primeiro e o segundo que nos vêm à mente. Afinal, poderíamos 
dizer que só existe um único irmão — o presente; como 
poderíamos dizer que só existem, na realidade, o passado e o futuro. 
Ou talvez nenhum deles, pois cada qual só tem existência 
em relação aos outros dois. Puxa! fiquei de cabeça quente! 
— Mas a charada ainda não acabou — disse Mestre Hora. 
— Qual é o grande reino que os três governam juntos, e que eles 
próprios constituem? 
Manu voltou-se para ele, perplexa. Que seria isso? Onde é 
que o presente, o passado e o futuro se encontram juntos? 
Seu olhar percorreu a sala imensa, fixando-se nos milhares 
de relógios. Com expressão subitamente iluminada, exclamou 
então: 
— É o Tempo! Isso significa o Tempo! 
E pulava de alegria. 
— Diga-me agora qual é a casa em que moram os três irmãos 
— acrescentou Mestre Hora. 
— Deve ser o mundo — respondeu a menina. 
Desta vez foi Mestre Hora quem bateu palmas de contentamento: 
— Bravo! Parabéns, Manu! Você é boa nas charadas! Isso 
muito me alegra. 
Manu estava ainda com o pensamento naquela adivinhação 
e fez de repente esta pergunta: 
— Diga-me: que é afinal o Tempo? 
— Você já o descobriu sozinha! — respondeu Mestre Hora. 
— Mas eu quero saber o que ele é em si mesmo? Se existe, 
deve ser alguma coisa! O que é realmente o Tempo? 
— Seria bom que você própria também encontrasse essa resposta 
— disse Mestre Hora. 
Manu ficou longo tempo pensativa. Depois, murmurou absorta: 
— Ele existe, isso é certo. Mas não se pode agarrar o Tempo, 
nem conservá-lo. Será como uma espécie de perfume? Mas 
se é uma coisa que está sempre passando, deve vir de algum lugar. 
Será como o vento? Não; já sei: talvez seja como uma espécie de 
música, que não se ouve porque está sempre tocando... mas 
penso que eu já a escutei às vezes, muito baixinho. 
— Sei disso — confirmou Mestre Hora — e foi por esse 
motivo que pude mandar buscar você. 
— Deve porém haver mais alguma coisa — continuou Ma-
nu, sempre meditando. — A música vinha de muito longe, e no 
entanto parecia ressoar no mais profundo de mim mesma. Talvez 
o Tempo também seja assim? 


(Michael Ende)

9 de abril de 2011

Doris Lessing - Shikasta



"Cada jovem - estou falando de modo geral, não dos indivíduos 
raros -enfrenta os pais com antagonismo porque, tendo-he sido prometido 
tudo, compreende agora que isso não vai acontecer, e a rejeição, o desapontamento 
por uma promessa não-cumprida, une-se à reprovação dirigida aos pais. 

Não conhecem a própria história como espécie, nem as razões reais da sua condição: 
não sabem de nada, não compreendem coisa alguma, mas estão convencidos, 
pela arrogância da sua educação, de que são os herdeiros intelectuais de todo o conhecimento 
e de toda a compreensão. Contudo, a cultura se desmoronou, e é odiada 
pelos jovens. Eles a rejeitam enquanto se agarram a ela, a exigem, tiram dela 
tudo o que podem tirar. E, por causa desse ódio, mesmo aquilo que é bom e perfeito 
e útil nos valores tradicionais, é rejeitado. E, assim, cada jovem vê-se subitamente 
enfrentando a vida sozinho, sem normas ou regras, ou leis, ou mesmo alguma 
informação na qual possa confiar. Como acreditar que da anarquia brutal que os 
rodeia possa sair algo de bom? Contudo, estão equipados para fazer julgamentos, e 
para usar a mente de certo modo -assim lhes ensinaram. São equipados para ser 
auto-suficientes e capazes de julgamento individual, e começam então a cinzelar 
seus territórios emocionais com a crueldade total e o interesse pessoal característicos 
das faixas do Noroeste, desde quando esses animais dominaram o mundo saqueando 
e pilhando -mas agora não se trata apenas dos povos dessas faixas, mas 
de todos, em todos os lugares. Pois, à sua frente, estende-se essa longa vida, sem 
fim, sem fronteiras -têm tempo para corrigir erros, mudar de caminho, transformar 
o errado em certo... "

14 de março de 2011

Clube de leitura das garotas nuas



  Acredito que a maioria das pessoas considere clubes de leitura entediantes, silenciosos e geralmente frequentados por pessoas sem o menor sex appeal. Essa definição clássica espanta muitos do mundo da leitura, nos fazendo lembrar proclamações de poesia e jograis. Realmente tudo muito monótono para uma geração que está acostumada com interatividade, respostas rápidas e muito dinamismo.
mulher pelada Clube de leitura das garotas nuas
Fugindo desse assunto batido de geração 2.0 e voltando aos clubes da leitura criados pela turma 1.0, um grupo de garotas de Chicago resolveu inovar um pouco no assunto da forma mais ousada que conseguiram imaginar. Despir suas vergonhas, na maneira literária de se dizer.
Naked Girls Reading, criado por Michelle L’amour e Franky Vivid, artistas de shows burlescos, leva ao público literatura e sensualidade de forma despretensiosa, segundo elas. Discordo no despretensiosa, mas concordo que a combinação é realmente interessante. A ideia começou em Chicago, ganhou os EUA e agora o mundo inteiro. NGR possue agenda internacional e franquias em alguns lugares do mundo.
mulheres peladas Clube de leitura das garotas nuas

mulheres nuas Clube de leitura das garotas nuas
Mas, se você espera assistir uma sessão de leitura erótica pode ficar decepcionado. As garotas tiram suas roupas para ler também poesia, ficção científica, suspense, terror, romance… tudo muito eclético. E as sessões custam entre 15 e 35 dólares, dependo do grau de intimidade que você terá com as moças.
Os puritanos acham que a ideia toda é um circo de orgia, outros veem sensualidade bem trabalhada, Michelle afirma que não há nada de vulgar em seu show e diz que proporciona uma experiência quase espiritual aos clientes.
mulheres sensual Clube de leitura das garotas nuas

8 de março de 2011

Dica manolos...


As cinco pessoas que você encontra no céu

   (The five people you meet in heaven)




As cinco pessoas que você encontra no céu (The five people you meet in heaven)
É um daqueles filmes inesquecíveis que dá abertura a profundas reflexões sobre a vida. Não é uma história que mostra a vida eterna na visão religiosa. Ele remonta à vida concreta das pessoas dentro de um contexto imaginário no espaço-tempo aqui e agora.
O personagem principal, Eddie (John Voight), cresceu sofrendo a dureza de uma vida pobre, em meio a guerras e fazendo trabalho rústico. Sem maiores possibilidades, acabou seguindo a profissão do pai; funcionário encarregado de dar manutenção em um parque de diversões. Assim transcorreu a sua vida até completar 83 anos, aí ao tentar salvar uma menininha de um acidente com um dos brinquedos, morre.
Ao chegar ao céu, Eddie imagina que sua vida que acabou de deixar não teve nenhuma importância. Porém, encontra cinco pessoas, sendo duas conhecidas, que irão lhe mostrar o contrário, que sua vida teve um propósito, que nada acontece por acaso.
Cada uma dessas personagens faz Eddie rever cenas de seu passado, desfilando diante dele, cenas misteriosas, mágoas, amores antigos e nesse percurso, muitas coisas vão sendo resolvidas. Fica evidente a grande importância de sua vida na vida de muitas pessoas e vice-versa. A cada nova experiência ele percebe que nunca se dera conta de que as vidas na Terra, são interligadas, de diversas formas, às vezes incompreesíveis.

Cada pessoa influencia a vida de outras e é influenciada por elas, seja de modo positivo ou negativamente. Como seria tão melhor se todas as pessoas pudessem compreender isso e procurassem mudar seu pensamento e seu modo de agir. Esse filme realça os valores; da vida, do trabalho, das atitudes pessoais e grupais. Demonstrando que cada ser humano deve dar aos outros e ao mundo, a sua parcela de contribuição. É excelente! Recomendo.



9 de novembro de 2010

Dica Manolo....


The Edukators  de  Hans Weingartner  ( 2004)


Jan (Daniel Brühl) e Peter (Stipe Erceg) são dois jovens que acreditam que podem mudar o mundo. Eles se auto-denominam "Os Educadores", rebeldes contemporâneos que expressam sua indignação de forma pacífica: eles invadem mansões, trocam móveis e objetos de lugar e espalham mensagens de protesto. Jule (Julia Jentsch) é a namorada de Peter, que está passando por problemas financeiros e, por causa deles, está saindo de seu apartamento alugado. Tempos atrás Jule se envolveu em um acidente de carro, que destruiu o carro de um rico empresário. Condenada pela justiça, ela precisa pagar um novo carro no valor de 100 mil euros, o que praticamente faz com que trabalhe apenas para pagar a dívida que possui. Como Peter viaja para Barcelona, Jan vai ajudá-la na mudança. Eles se conhecem melhor e Jan termina por contar a ela a verdade sobre os Educadores. Empolgada com a notícia, Jule insiste que ela e Jan invadam a casa de Hardenberg (Burghart Klaubner), o empresário que a processou. Após uma certa resistência, Jan concorda. Na casa eles agem como os Educadores, mudando os móveis de lugar, mas cometem um grave erro: Jule esquece no local seu celular. No dia seguinte, com Peter já tendo retornado da viagem mas sem saber do ocorrido, Jan e Jule decidem invadir novamente a casa de Hardenberg, para recuperar o celular. Porém o que eles não esperavam era que o empresário os surpreendesse dentro da casa, o que os força a sequestrá-lo.

13 de outubro de 2010