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13 de fevereiro de 2013

Bolo nas Bodas...





Estavam casados já a mais de doze anos, Jamile, entretanto não via muitos motivos para comemorar suas “bodas de seda”, uma vez que o marido a muito tempo a atrás deixara de trata-la de modo semelhante a isso, muito pelo contrario pensava em escrever no bolo “Bodas de aspargos” ou mesmo que parecendo um tanto exagerado quem sabe “bodas porra nenhuma!”. O que se passava é que Jaime já não era o mesmo de antes, se tornara uma copia mal feita dos seus astros de filmes e seriados valentões e nojentos que ele assistia em seus típicos domingos regados à cerveja e a idolatria das velhas fitas VHS no vídeo empoeirado.

Contudo já estava tudo arranjado e sendo tarde demais para voltar atrás, e além do más o que pensariam dela no hospital onde era agora a diretora, não podia! O que lhe restava era torcer para o velho porco se portar bem desta vez. Além do mais havia encomendado um lindo bolo da melhor confeiteira da cidade, e não via a hora de ouvir os elogios do pessoal do hospital:

- Deus, como este bolo é divino Jamile, você que fez? Sem querer incomodar, se sobrar um pouquinho, posso levar um ou doze pedaços para casa? Aliás seu vestido esta deslumbrante! – Estava excitada seria uma delicia ouvir tantos elogios!

Os convidados chegavam aos pares, em pequenos grupos, e até jurou ter visto um ônibus de excursão parado em sua porta. A casa estava cheia e ainda não havia visto seu marido, o que a esta altura já lhe causava calafrios. Decidiu ir então ao porão para apanhar mais algumas garrafas de vinho e talvez tirar alguns minutos para um cigarro. Desceu as escadas ouvindo alguns sussurros e risos e logo se apressou pensando sabe lá o que o marido havia aprontado:

- Jaime, minha santa mãe! Que sena grotesca é essa?

O marido se via de pé em torno de uma mesa de Poker, onde cavalheiros e digamos algumas “damas” engoliam seus sorrisos amarelos ao ver a dona do bordel improvisado.

- Minha querida! Em primeiro lugar sua mãe não é nada santa, você mesma pode ver, a velha esta escondida aqui em baixo da mesa e por sinal estava “me arrancando as calças”, é uma jogadora excelente essa minha velha sogra!- falou o infeliz erguendo parte da toalha da mesa e mostrando uma senhora com fichas e uma guimba de cigarro nas mãos.

- De fato ela levou mesmo até suas calças Jaime!- Retrucou segurando o choro.

- Bom, sei que estou sem as calças mais também convidei o pessoal a se juntar a mim em um jantar formal em calças ou encontrara algum restaurante excêntrico que nos acolhesse! Mais não, eles insistiram em continuar aqui, inclusive sua mãe acrescentou que é difícil encontrar um bom vinho na cidade, e como estávamos ao lado da adega...

- Calado seu porco! Já não aguento mais esse casamento, quero o divorcio! Você não conversa mais comigo, não me espera quando chego do trabalho, eu já não tenho tempo para nada, o trabalho me suga... E agora isso?!- Rosnava aos prantos apontando o dedo na cara do tal ( ainda com as calças arriadas)

- O que posso dizer? Quem mandou você estudar? Dá nisso! Eu por exemplo me viro bem jogando cartas e sendo marido de mulher rica!

-Dane-se seu filho da puta! Você eraaaa marido de mulher rica! Vou pegar algum vinho, subir, e cortar o bolo para os convidados, e você mamãe, vista esse safado e subam os dois para as comemorações, amanha tratamos da separação!

- Querida, um minutinho.- Disse Jaime finalmente colocando as ceroulas de volta.- Podemos adiar esse divórcio para o mês que vem, é que bem... Eu meio que contraí uma leve divida com sua mãe e a velha tem os juros um tanto salgados...

Jamile subiu com a garrafa de vinho tranquilamente e foi ter com seus convidados, e alguns minutos depois cortava o bolo quando sua mãe discretamente sussurrou:

- Minha filha, não quero me meter na sua vida conjugal, más, eu não acho de bom grado amarrar e amordaçar seu marido na adega em plena comemoração de suas bodas.

- Chega mamãe, amanhã de manhã conversamos sobre isso! Agora vou servir o meu bolo.

- Tudo bem, e enquanto conversamos que tal irmos ao banco e você me pagar aquela dividazinha pendente entre a mamãe e ele.

Infelizmente os elogios a respeito do bolo não tinham mais o gosto esperado.



6 de fevereiro de 2013

LIVROS DA ESTANTE....







A história é passada em alguns bilhões de anos no futuro, e nos apresenta Diaspar, a última cidade da raça Humana, fisicamente bastante similar tudo considerado, um modelo de ambiente de perfeição auto-sustentada. Diaspar é totalmente - salvo por túneis de ventilação - isolada do mundo ao redor, do qual só um imenso deserto pode ser visto, protegida por um enorme domo opaco. Dentro, o conforto material e intelectual dos estáveis dez milhões de habitantes vem sido mantido com perfeição pelas máquinas criadas há tanto tempo, especialmente pelo Computador Central - e como em toda a utopia, sempre tem um chato.


E ele é Alvin, que nunca não se satisfaz com tudo dado de mão aberta em Diaspar: desde cedo, ele quer ir além de suas fronteiras, mesmo que o que demonstra existir do lado de fora não seja exatamente encorajador.


Entra em cena Khedron, o Bufão de Diaspar, sempre disposto a agitar um pouco da ordem pública da cidade, dando a Alvin ferramentas para ir adiante com sua inusitada e preocupante mania. No que resulta disso, nem Khedron consegue enfrentar.


Ocorre que um bilhão de anos de Diaspar são montados em premissas falsas, que começam a cair quando Alvin descobre uma outra cidade, bastante diferente de Diaspar, Lys (que é mais uma região com diversas vilas), situada bem além do deserto ao redor de sua cidade.


A sociedade em Lys é bastante diferente da projetada em Diaspar. Lys não só conhece a presença de Diaspar, como a monitora. Em Lys, as pessoas levam um modo de vida voltado ao cultivo do solo (há uma natureza exuberante naquele terreno), com alguma vantagem tecnológica: mas são todos hábeis telepatas, fruto do planejamento genético e evolução após um bilhão de anos, sendo ainda grandes geneticistas e biólogos; enquanto que em Diaspar vivem dez milhões de diletantes ("todos são artistas"), dependendo inteiramente de máquinas para o que for. Os habitantes de Lys nascem e morrem em cerca de dois séculos, os de Diaspar são gerados já crescidos pelo Computador Central e tutorados por casais dispostos a ajudar nos primeiros vinte anos, para ajuste social e enquanto suas memórias não florescem - é como se já nascessem sabendo, resultado de inúmeras vidas com circuitos de memória armazenados após mil anos por vida, quando em geral decidem que já "está bom" e têm os corpos desmanchados pelo sistema da cidade. Sim: sexo, somente, para recreação. Utopia, pois. O critério de reinserção dos que já morreram na sociedade é de acordo com uma estatística de perfil de compatibilidade.


É óbvio que ambas as sociedades estão em isolamento e estagnação, devido a um grande temor do passado, e que precisam romper isto: a arcadiana Lys e a tecnológica Diaspar.


Há uma forte semelhança entre Alvin e Neo, da - por enquanto - trilogia The Matrix: ambos vêm de uma última cidade do Homem, criada por temor a um inimigo externo. E, principalmente: ambos são variações únicas de seus respectivos meios criadas pela máquina de tempos em tempos para testar o sistema, e levar tudo e todos a um novo patamar.


Para retratar o quão longe o ser Humano foi, Clarke abusa dos números: as estimativas mais modestas são na casa de mil anos. Seres e eventos de milênios, milhões e bilhões de anos perambulam pela história - grandiosidade que faz parte do sense of wonder que o autor é um mestre.


No final, A Cidade e as Estrelas acaba sendo uma história sobre eternidade - uma que mostra que nada dura para sempre.

Barganhas Faraônicas


                                 

                                        


  Estavam à frente do palácio do faraó, todos do alto escalão e servos do Deus Sol estavam lá para dar aquela “forcinha” nas negociações, até José fechou sua lojinha de interpretação de sonhos e foi dar sua humilde opinião a respeito. Os Deuses desceram como na hora prevista - eram muito pontuais os filhos da mãe- e sem mais cerimonias com exceção das oferendas em ouro e virgens costumeira de todas as visitas adentraram no templo para a grande reunião.

- Bem meu caro faraó Tut...sei lá o que... é o IV ou V esse ai?

- Creio que já sou o VII meu senhor.

- Meu eu! Como essa gente morre rápido! Então... Como todos já sabem estamos aqui para fechar a nova negociação entre a terra e os Deuses.

- Sim grande Rá e esperamos que em sua grandeza possa nos dar um pouco mais de crédito dessa vez e...

- Sem mimimi Tut... vá direto ao ponto! Que bobagem vocês anseiam desta vez?

- Veja bem meu senhor, o povo precisa de liderança e fé cega para me servir e mantermos assim o status da hierarquia atual... Vamos chama-lo de “status Quo” em homenagem a minha gata Quortenemis, ok? Sendo assim peço nova tecnologia e conhecimento nos sejam transferidos para tocarmos um humilde projeto meu.

- Sei... E qual seria esse projeto? Deve ser tão brilhante como o parque aquático que seu bisavô pediu – e em pleno deserto – para passar o veraneio. Ou talvez outra estatua  estranha com corpo de um e cabeça de outro como fez seu Tetravô, o que vai ser dessa vez corpo de jacaré e cabeça de elefante?

- Apesar de serem excelentes ideias, não quero copiar meus ancestrais grande Rá...

- Enfim alguém com cabeça nesse planeta de fanáticos! Diga-me o que mandas o da sainha.

- Eu planejo construir um tumulo para mim, meu filho e o filho de meu filho.

- Só isso! Três túmulos bobocas?  Isso é Muito simples... dessa vez vou até extorqui-los um pouco menos.

- Grato por sua bondade ó Grande, aqui esta um pequeno esboço feito por um de meus engenheiros... Perdoe a grosseria é que o jovem Niemeyer é apenas um estudante da academia de Osíris.

- Que droga é essa? Isso tudo é pra ser feito de pedra?

- Sim meu senhor, as chamamos de “Pirâmides”!

- Então deixa ver se entende, em troca da escravidão e alienação do seu povo, sem contar o seu ouro, prata e virgens gatinhas, você quer a tecnologia pra construir três prédios pontudos em cima dos cadáveres de sua família?

- Vendo por esse angulo parece estupidez, mais é isso mesmo.

- Puta que pariu! Vá entender essa raça, gostava mais dos australopitecos, então está feito! Você terá sua tumba e eu continuo com todas as riquezas de seu povo e sua  adoração e claro.

- Sem duvida Grande Rá, é sempre bom fazer negócios com o senhor!

- Aliás, como dessa vez é seu povo que vai construir esses elefantes brancos...

- Pirâmides senhor... Se chamam Pirâmides...

-Tanto faz...se eles vão construir vou dar de brinde alguma coisa pra eles também. Só para o povo ter alguma vantagem, sirva isso ao povo enquanto eles trabalham, vai ajudar coma a dor das chicotadas e a superar as esposas mocreias...mais não vai se acostumando!

- Que o senhor se abençoe ó grande, qual o nome dessa bebida?

- De o nome que quiser! você que é o cara dos nomes afinal... Volto em dez anos para coletar as oferendas.

- Fico honrado em escolher um ó rei dos reis!

- Aliás Posso ficar com esse esboço? Vou visitar alguns fanáticos na América e na índia e gostaria de sugerir a ideia pra eles também! Mais não se preocupe faremos algumas modificações para evitar processos de plágio.

-Seja feira sua vontade Senhor do Universo!

- Caralho! Quanta pompa e Tralala! Você já vendeu seu peixe pode parar de puxar meu saco...Adeus seu mamão!

A sala ficou subitamente vazia, com exceção do faraó, José e o jovem e empolgado Niemeyer.

- Como vamos chama-la senhor?

- Acho que vou chamar de cerveja! O que achas José?

- È um bom nome ó grande rei.

- Eu prefiro wisk!

-Calado Niemeyer! E comesse logo esse projeto, não tenho a eternidade como tu...



20 de novembro de 2012

LIVROS DA ESTANTE....



“Uma voz lá no fundo de Richard lembrou que Atlântida nunca existiu e, ousada, continuou dizendo que anjos também não existiam e que, além disso, as experiências pelas quais ele havia passado nos últimos dias eram impossíveis. Richard a ignorou. Era estranho, estava aprendendo a confiar em seus instintos [...]”


A história conta como um londrino comum, Richard Mayhew, certo dia encontra uma mendiga caída na rua e resolve ajudá-la. Inadvertidamente, com seu ato ele deixa de ser um cidadão da Londres, dono de uma vidinha pacata e bem encaminhada, para tornar-se alguém que não pertence a lugar algum (daí o título do livro). Um estranho invisível tanto em seu mundo quanto no que se desvenda à sua frente, a "Londres-de-Baixo", subterrânea, onde as leis são diferentes e as estações de metrô incorporam o sentido literário de seus nomes. Assim, "Earls Court" tem mesmo uma côrte, "Seven Sisters" são sete irmãs, "Blackfriars" é o lar dos Monges Negros, e existe um anjo chamado Islington no meio do caminho das estações "Angel" e "Highbury and Islington".

A idéia é interessantíssima, especialmente para quem conhece a capital inglesa e já pegou metrô por lá, mas se comparada a Sandman, Deuses Americanos, Os Filhos de Anansi, Stardust ou mesmo aos livros infantis ou ao filme Máscara da Ilusão, Lugar Nenhum (título nacional do livro), é bastante convencional.Em suma um excelente livro, leiam caso surja a oportunidade.