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16 de maio de 2013

BÍBLIA COM MAIS DE 1500 ANOS É DESCOBERTA E PREOCUPA VATICANO



As páginas do livro, do século V ou VI, são de couro tratado e estão escritas em um dialeto do aramaico, língua falada por Jesus. Suas páginas hoje estão negras, por causa da ação do tempo, mas as letras douradas ainda possibilitam sua leitura.

As autoridades turcas acreditam que se trata de uma versão autêntica do Evangelho de Barnabé, um discípulo de Jesus que ficou conhecido por suas viagens com o apóstolo Paulo, descritas no Livro de Atos.


Autoridades religiosas de Teerã insistem que o texto prova que Jesus nunca foi crucificado, não era o Filho de Deus, mas um profeta, e chama Paulo de “Enganador.” O livro também diz que Jesus ascendeu vivo ao céu, sem ter sido crucificado, e que Judas Iscariotes teria sido crucificado em seu lugar. Falaria ainda sobre o anúncio feito por Jesus da vinda do profeta Maomé, que fundaria o Islamismo 700 anos depois de Cristo. O texto prevê ainda a vinda do último messias islâmico, que ainda não aconteceu.



A foto divulgada da capa mostra apenas inscrições em aramaico e o desenho de uma cruz. A Internacional News Agency, diz que a inscrição na fotografia pode ser facilmente lida por um assírio. Os assírios viviam na região que compreende hoje o território do Iraque, o nordeste da Síria, o noroeste do Irã, e o sudeste da Turquia.

A tradução da inscrição inferior, que é o mais visível diz: “Em nome de nosso Senhor, este livro está escrito nas mãos dos monges do mosteiro de alta em Nínive, no ano 1.500 do nosso Senhor”.


O Vaticano teria demonstrado preocupação com a descoberta do livro, e pediu às autoridades turcas que permitissem aos especialistas da Igreja Católica avaliar o livro e seu conteúdo, em especial o “Evangelho de Barnabé”, que descreveria Jesus de maneira semelhante à pregada pelo islã.

O relatório da Basij Press, que divulgou o material para a imprensa, sugere que a descoberta é tão importante que poderá abalar a política mundial. “A descoberta da Bíblia de Barnabé original irá minar a Igreja Cristã e sua autoridade e vai revolucionar a religião no mundo. O fato mais significativo, porém, é que esta Bíblia previu a vinda do profeta Maomé, mostrando a verdade da religião do Islã”.

A Basij afirma que o capítulo 41 do Evangelho diz: “Deus disfarçou-se de Arcanjo Miguel e mandou (Adão e Eva) embora do céu, (e) quando Adão se virou, ele notou que na parte superior da porta de entrada do céu, estava escrito La elah ELA Allah, Mohamadrasool Allah”, significando “Alá é o único Deus e Maomé o seu profeta”.




26 de junho de 2012

MITOS E DEUSES



                                                    POVO TUPI-GUARANI


                                                                          


Os Guarani contam que o processo de criação do mundo teve início com Ñane Ramõi Jusu Papa ou “Nosso Grande Avô Eterno”, que se constituiu a si próprio do Jasuka, uma substância originária, vital e com qualidades criadoras. Foi quem criou os outros seres divinos e sua esposa, Ñande Jari ou “Nossa Avó”, foi alçada do centro de seu jeguaka (espécie de diadema que perpassa, como ornamento, testa e cabeça), o adorno ritual. Criou também a terra que então tinha o formato de uma rodela, estendendo-a até a forma atual; levantou também o céu e as matas. Viveu sobre a terra por pouco tempo, antes que fosse ocupada pelos homens, deixando-a, sem morrer, por um desentendimento com a mulher. Tomado de profunda raiva causada por ciúmes, quase chegou a destruir sua própria criação que foi a terra, sendo impedido, contudo, por Ñande Jari com a entoação do primeiro canto sagrado realizado sobre a terra, tomando como acompanhamento o takuapu: instrumento feminino, feito de taquara, com aproximadamente 1,10m, que é golpeado no solo produzindo um som surdo que acompanha os Mbaraka masculinos, espécie de chocalho de cabaça e sementes específicas.
 O filho de Ñane Ramõi, isto é, Ñande Ru Paven (“Nosso Pai de Todos”) e sua esposa Ñande Sy (“Nossa Mãe”), ficaram responsáveis pela divisão política da terra e o assentamento dos diferentes povos em seus respectivos territórios, criando montanhas para delimitar o território guarani. Ñande Ru Paven roubou o fogo dos corvos e o entregou aos homens; criou a flauta sagrada (mimby apyka) e o tabaco (petÿ) para os rituais e foi o primeiro que morreu na terra. Da mesma forma que seu pai, decidiu abandonar a terra em função de um desentendimento com sua esposa que estava grávida de gêmeos. O mito dos gêmeos é um dos mais contados e difundidos pela América do Sul. Pa’i Kuara é neto de Ñane Ramõi. A ele, depois de muitas aventuras na terra, foi atribuída a responsabilidade de cuidar do Sol, assim como de seu irmão, Jacy, a quem caberia o cuidado da Lua.

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28 de maio de 2012

MITOS E DEUSES



Deusa Nu-Gua da China





Nu-Gua era a Deusa com cabeça de mulher e corpo de serpente. Possuía o poder de transformar-se de setenta maneiras diferentes por dia. Solitária passeava pelos caminhos virgens do mundo., envolvida pala beleza e encanto das paisagem. Com tudo abrigava em seu coração uma grande melancolia. Era o clamor do seu instinto materno, trazendo-lhe uma sensação de infinita tristeza e frustração. Em determinado momento, num ímpeto incontido, cavou barro no chão e com ele moldou uma figura humana. Surpreendeu-se com aquela pequena figura ganhando vida e movimento próprio, pulando, cantando e indo-se embora, levada por sua própria inquietação. NU-GUA não coube em si de tanta felicidade e com suas mãos continuou criando as figuras dentro do mesmo espírito e enlevamento até se cansar. Quando então tomou um feixe de vime, entumeceu-o com barro e vibrou-o com energia. Os pingos caídos no chão milagrosamente se transformaram em seres humanos e em pouco tempo o mundo estava repleto.

Os seres nobres foram os criados pela mão de NU-GUA. Quando aos pobres, estes foram lançados como feixe de vime. Porém a natureza moral desses homens obrigava a deusa a repetir constantemente o processo, tornando-o extremamente cansativo. Decidiu-se então pelo acasalamento dos seres para, através desta forma, se perpetuarem. Havendo estabelecido esta união, é chamada pelos chineses a Deusa do Matrimônio . NU-GUA é a primeira mediadora entre homens e mulheres.

Num túmulo da Dinastia Han descobriram recentemente( 1972 ), no mural e na urna funerária, desenhos esculpidos em tijolos com temas relacionados à lendas e mitos. Entre esses desenhos havia uma de FU-XI e NU-GUA, cujos corpos da cintura para cima eram humanos e da cintura para baixo, de serpentes. Contudo em outro túmulo de Han, descoberto em Henan, a concepção de suas formas é diferente. Ao invés de serpentes, dragões. As duas caudas trançadas juntas. Em uma das representações, FU-XI segura nas mãos um esquadro de carpinteiro e um sol dentro do qual havia um corvo desenhado. Quanto à representação de NU-GUA, esta segura um compasso e uma lua dentro da qual, igualmente desenhado, havia uma rã com três patas. Nos demais desenhos ainda havia uma criança entre os dois deuses, prendendo com as mãozinhas as mangas das vezes divinas, numa demonstração de felicidade familiar e de doçura no lar.

FU-XI e NU-GUA são os deuses que criaram e transmitiram a cultura aos homens. Representa esse casal primordial uma união tão perfeita e íntima que também são considerados irmãos. Nos túmulos antigos suas figuras são sempre representadas no ato da procriação.



22 de maio de 2012

MITOS E DEUSES




Yggdrasil - Árvore do Mundo

Yggdrasil ou Ygdrasill, era uma grande árvore (um freixo) que, na mitologia escandinava, representava o eixo do mundo. Nas suas raízes, que se espalhavam pelos Nove Mundos, cujas mais profundas estão situadas em Nifheim, ficavam os mundos subterrâneos, habitados por povos hostis. O tronco era Midgard, o mundo material dos homens; a parte mais alta, que se dizia tocar o Sol e a Lua, chamava-se Asgard "A Cidade Dourada", a terra dos Deuses, e Valhala ("O Salão dos Mortos"), local onde os guerreiros eram recebidos após terem morrido, com honra, durante as batalhas.
Yggdrasil


Conta-se que nas frutas de Yggdrasil estão as respostas das grandes perguntas da humanidade. Por esse motivo ela é guardada por uma centúria de Valkírias, denominadas protetoras, e somente os Deuses podem visitá-la. Nas lendas nórdicas, dizia-se que as folhas de Yggdrasil podiam trazer pessoas de volta à vida, com apenas um de seus frutos e que curaria qualquer doença. (Fonte: Wikipédia)
“A árvore é o eixo do mundo em seu aspecto de atendimento de desejos, de frutificação – o mesmo aspecto exibido nos lares por ocasião do solstício de inverno, momento do nascimento ou retorno do sol, um jubiloso costume herdado do paganismo germânico”. Joseph Campbell - O herói de mil faces.
Yggdrasil é a árvore da vida, o alimento da alma e do corpo, o consolo do coração e o remédio que tudo pode curar. É o fim e o começo... Pois a árvore simboliza o núcleo de tudo, a representação poética do mundo - a fonte da vida, o saber divino e o destino de todas as coisas - a expressão máxima da natureza através dos mitos nórdicos.


20 de maio de 2012

MITOS E DEUSES....


Dilúvios...



Existem mais de 270 narrativas do dilúvio em diferentes povos espalhados pela Terra, povos que nem sabiam da existência um do outro. Essas histórias geralmente são sobre o início de sua civilização.

Um deus revoltado com a humanidade imperfeita resolve acabar com ela lançando sobre a terra um grande dilúvio. Alguns dos homens escolhidos recebem instruções para construir grandes embarcações e assim sobrevivem a grande tragédia. Quando a água baixa, depois de alguns meses, os homens repovoam o planeta salvando a humanidade.


Histórias como esta são contadas por diferentes povos ao redor do mundo, povos que nem sabiam da existência um do outro e que tinham as mesmas lendas sobre o início de sua civilização. Os povos americanos, asiáticos, sumérios, assírios, armênios, egípcios e persas, entre outros, contam histórias semelhantes ao dilúvio retratado na bíblia.

Segundo o cientista brasileiro Arysio Nunes dos Santos, o dilúvio estaria relacionado à lenda de Atlantis, cidade mítica grega, que ainda segundo ele, também teria sua história contada em inúmeras outras culturas.


Dilúvio Sumério




No século XIX, foram descobertas nas ruínas da cidade de Ur cerca de 50000 tábuas de argila contendo escritos cuneiformes que seriam parte da biblioteca do imperador assírio Assurbanípal (668-627 a.C.).

Nessas tábuas foram encontrados relatos das antigas grandes civilizações da Mesopotâmia além de um texto pagão anterior e muito semelhante ao Noé bíblico, a Epopéia de Gilgamesh.

O mito sumério de Gilgamesh conta os feitos do rei da cidade de Uruk, Gilgamesh, que parte em uma jornada de aventuras em busca da imortalidade, nesta busca encontra as duas únicas pessoas imortais:
Utanapistim e sua esposa, estes contam à Gilgamesh como conquistaram tal sorte, esta é a história do dilúvio. O casal recebeu o dom da imortalidade ao sobreviver ao dilúvio que consumiu a raça humana. Na tradição suméria, o homem foi dizimado por incomodar aos deuses. Segundo este mito, o deus Ea, por meio de um sonho, apareceu a Utanapistim e lhe revelou as pretensões dos deuses de exterminar os humanos através de um dilúvio. Ea pede a Utanapistim que renuncie aos bens materiais e conserve o coração puro. Utanapistim, então, reúne sua família e constrói a embarcação que lhe foi ordenada por Ea, estes ficam por sete dias debaixo do dilúvio que consome com os humanos. Aqui um techo de tal história:

 

"Eu percebi que havia grande silêncio, não havia um só ser humano vivo além de nós, no barco. Ao barro, ao lodo haviam retornado. A água se estendia plana como um telhado, então eu da janela chorei, pois as águas haviam encoberto o mundo todo. Em vão procurei por terra, somente consegui descobrir uma montanha, o Monte Nisir, onde encalhamos e ali ficamos por sete dias, retidos. Resolvi soltar uma pomba, que voou para longe, não encontrando local para pouso retornou (…) Então soltei um corvo, este voou para longe encontrou alimento e não retornou." (TAMEN, Pedro. Gilgamesh, Rei de Uruk. São Paulo: ed. Ars Poetica, 1992.)




18 de maio de 2012

MITOS E DEUSES


NASCIMENTO E GLÓRIA DE JÚPITER





Saturno, após destronar sangrentamente o próprio pai, era agora senhor de todo o
Universo.
— Aqui é assim: mando eu e ninguém mais — dizia o tempo todo, a ponto de suas
palavras reverberarem noite e dia pelos céus.
Certa feita, sua esposa, Cibele, que também era sua irmã, chegou-se a ele e disse:
— Abrace-me, querido Saturno, pois serei mãe!
O velho Saturno, encanecido no mando, esboçou apenas um sorriso.
— Muito bonito — resmungou o deus. — Mas e daí?
— Ora, e daí que você, meu esposo, será pai! — disse ela, tentando animá-lo. Esta
palavra, no entanto, despertou a fúria de Saturno. Pondo-se em pé,
com os olhos acesos, esbravejou:
— Não quero ouvir falar mais nesta palavra aqui no céu. Imediatamente ordenou que a
pobre Cibele saísse da sua frente, para que pudesse reorganizar seus pensamentos. A praga que
seu pai lhe lançara no dia em que o mutilara com a foice diamantina ainda ecoava em seus
ouvidos:
"Ai de você, rebento infame... Do mesmo modo que usurpou o mando supremo. irá
também um dia perdê-lo..."
— Nada de filhos — exclamou, por fim, a velha divindade. — Cibele, venha já até mim!
Sua esposa surgiu, um tanto intimidada.
— Quando nasce esta criatura que você está carregando? Vamos, diga! — bradou
Saturno.
— Nos próximos dias, Saturno querido...
— Assim que nascer, traga-a imediatamente até mim.
— Assim será, meu esposo.
Cibele, correndo os dedos pelas madeixas, sorria candidamente. Alguns dias depois, com
efeito, nasceu o primeiro bebê: era Juno, uma menina encantadora, porém de poucos sorrisos.
— Deixe-me vê-la — sussurrou Saturno, besuntando de mel a sua áspera i
— Veja, não é linda? — disse Cibele, a imprudente.
— Encantadora! — respondeu o deus, com um sorriso equívoco.
— Vamos, dê-lhe um beijo! — disse Cibele, a louca.
O velho deus tomou, então, a criança, envolta nos panos, e aproximou-a de seu imenso
rosto.
— Dá mesmo vontade de engoli-la inteira — exclamou, arreganhando os dentes.
Cibele chorou de ternura.
Num segundo Saturno abriu de par em par a bocarra, como duas portas que dão para um
abismo, e engoliu a pobre criança, que não deu um único pio.
Cibele chorou de horror.
Sem descer a explicações, Saturno tomou a cabeça da esposa em suas mãos e exclamou:
— E nada de choros, hein? Nada de vinganças. Depois, despediu-a, não sem antes
adverti-la:
— E já sabe: nascendo outro, quero-o logo aqui.
Saturno dava tapinhas na sua barriga cheia, como que parabenizando-se pelo engenhoso
estratagema. Depois retomou o seu eterno estribilho, agora com renovado prazer:
— E você aí dentro, já sabe: aqui é assim, mando eu e ninguém mais.
O tempo passou e foram nascendo os rebentos. Tão logo os filhos da desgraçada Cibele
iam saindo do cálido ventre da mãe, eram imediatamente metidos na cova tétrica do estômago do
pai. Passaram, assim, por este odioso portão, além da já citada Juno, os infelizes Plutão, Netuno,
Vesta e Ceres.
Quando chegou, porém, a vez do quinto bebê, Cibele, farta de tanta sujeição, revoltou-se
afinal:
"Não, este não...", pensava, e o seu laconismo dava bem a medida da sua determinação.
Passando, então, das palavras à ação, correu até a mais distante caverna do mundo — a
caverna de Dicte — e lá gemeu e gritou, até dar à luz Júpiter, seu último e mais esperado filho.
Depois de entregar o garoto aos cuidados das ninfas da floresta, Cibele retornou às
pressas para o palácio de Saturno. Uma vez em seus aposentos, envolveu uma pedra nos lençóis e
começou a gritar, como quem está em trabalho de parto.
— Temos nova peste — exclamou Saturno, rumando celeremente para o quarto.
Tão logo enxergou sua esposa segurando algo envolto nos panos, tomou-lhe o embrulho
das mãos e engoliu-o, imaginando ser o quinto bebê.
— É o último, hein... ? — disse o deus, limpando a boca com as costas da mão e
desaparecendo em seguida pela porta.
Mas Cibele chorou, como das outras vezes.
Tudo agora parecia em paz, pensava Saturno, enquanto gozava do silêncio, refestelado em
seu trono dourado. De vez em quando, porém, repetia bem alto o seu amado estribilho, pois o
silêncio absoluto enchia-o de vagas apreensões.
— Bom mesmo é minha voz retumbando: aqui é assim, mando eu e ninguém mais —
gritava ele, acalmando-se.
E isto era bom, também, para o jovem Júpiter, que permanecia oculto nas grutas
distantes, podendo chorar à vontade. Quando chorava alto demais, as ninfas que dele cuidavam
ordenavam que alguns guerreiros, chamados curetes, reverberassem seus escudos com toda a
força, para abafar os sons infantis.
Para acalmá-lo, havia uma doce cabra, chamada Amaltéia, que o amamentava e lhe servia
de distração — distração que também lhe era trazida por uma bola estriada de ouro, que o garoto
recebera de presente de uma das ninfas, a qual ao subir e cair deixava no céu, como um fulgente
meteoro, um belo rastro dourado.
Por fim, havia ainda uma águia encantada que todos os dias vinha de todas as partes do
mundo contar novidades e instruir o jovem deus nas coisas da vida.
— Júpiter, grande deus — disse-lhe um dia a águia, quando o garoto já estava crescido -,
já é hora de saber sobre o terrível perigo que você corre.
A ave, então, narrou ao deus todo o drama que dera origem à sua existência.
— Vai e liberta os seus irmãos da negra prisão em que estão metidos, para que você
possa assumir o lugar de seu pérfido pai no comando do mundo — disse a águia, estendendo as
longas asas, para enfatizar suas palavras.
Júpiter, que era um rapaz extraordinariamente forte e corajoso, acatou imediatamente a
sugestão da sua fiel conselheira; auxiliado pela filha do titã Oceano, a suave Métis, tomou posse,
então, de uma poderosa erva mágica.
— Faça com que seu perverso pai beba desta poção e num instante verá regurgitados
todos os seus aprisionados irmãos — disse-lhe a bela oceânide.
Júpiter conseguiu disfarçar-se de escanção de Saturno, oficial que deveria servi-lo, e
ofereceu-lhe a atraente beberagem numa taça de ouro.
— Que espécie de néctar é este, que tem o brilho de todas as cores e se perfuma de todos
os odores? — perguntou Saturno, arregalando o olho para dentro da taça.
— Um néctar como nunca experimentou igual! — asseverou Júpiter, desviando ao
mesmo tempo o olhar da carranca severa do pai.
Saturno, após infinitos vacilos, finalmente emborcou o conteúdo da taça. A princípio
estalou os beiços, achando maravilhosa a poção. Durou pouco, entretanto, o prazer, pois logo em
seguida o velho começou a passar muito mal.
— Mas o que é isto? — exclamou Saturno, fazendo-se todo branco. — Sinto náuseas
fortíssimas!
Dali a instantes Saturno começou a regurgitar, um por um, cada um dos filhos que havia
ingerido. Pobre deus! Como já fazia muito tempo que os engolira, agora se via obrigado a restituílos
completamente adultos. A incrédula Cibele, que estava junto do esposo, ia recebendo cada um
dos filhos com a face lavada pranto:
— Oh, Juno querida... Vesta amada... Adorada Ceres... Netuno, meu anjo! Plutão, meu
amor...
Com o retorno de seus irmãos, Júpiter havia dado o primeiro e irredutível passo para
retirar o poder supremo do mundo das mãos de seu pérfido pai.
— Exijo, Saturno cruel, que me ceda agora o cetro do mundo! — exclamou Júpiter, com
altivez e confiança.
— Como ousa levantar mão ímpia contra mim, o soberano do mundo? -exclamou
Saturno, repetindo ao filho algo que lhe soava estranhamente familiar.
Pressentindo, no entanto, o perigo, Saturno tratou logo de ir procurar seus antigos irmãos
e aliados — os velhos, porém ainda fortíssimos, Titãs.
— Mas isto é o fim dos tempos! — acrescentou, criando uma frase que as gerações
futuras repetiriam sempre que uma civilização entrasse em decadência.
A Guerra dos Titãs apenas começava a ser esboçada.


12 de maio de 2012

MITOS E DEUSES...





NASCIMENTO E GLORIA DE SATURNO


Numa era muito antiga — tão antiga que antes dela só havia o caos — o mundo era
governado pelo Céu, filho da Terra. Um dia, este, unindo-se à própria mãe, gerou uma raça de
seres prodigiosos, chamados Titãs. Ocorre que o Céu — deus poderoso e nem um pouco
clemente — irritou-se, certa feita, com as afrontas que imaginava receber de seus filhos. Por isto,
decidiu encerrá-los nas profundezas do ventre da própria esposa, à medida que eles iam
nascendo.
— Aí ficarão para sempre, no ventre da Terra, para que nunca mais ousem desafiar a
minha autoridade! — exclamou, colericamente, o deus soberano.
A Terra, subjugada, teve de segurar em suas entranhas, durante muitas eras, aquelas
turbulentas criaturas e suportar, ao mesmo tempo, o assédio insaciável e ininterrupto do marido.
Um dia, porém, farta de tanta tirania, decidiu a mãe do mundo que um de seus filhos deveria
libertá-la deste tormento. Para tanto escolheu Saturno, o mais jovem de seus rebentos.
— Saturno, meu filho — disse a Terra, lavada em pranto -, somente você poderá libertarme
da tirania de seu pai e conquistar para si o mando supremo do Universo!
O jovem e ambicioso Titã sentiu um frêmito percorrer suas entranhas.
— Diga, minha mãe, o que devo fazer para livrá-la de tamanha dor! — disse Saturno,
disposto a tudo para chegar logo à segunda parte do plano.
A Terra, erguendo uma enorme foice de diamante, entregou-a ao filho.
"Tome e use-a da melhor maneira que puder!", disseram seus olhos, onde errava um
misto de vergonha e esperança.
Saturno apanhou a foice e não hesitou um instante: dirigiu-se logo para o local onde seu
velho pai descansava. Ao chegar no azulado palácio erguido nos céus, encontrou-o ressonando
sobre um grande leito acolchoado de nuvens.
— Dorme, o tirano... — sussurrou baixinho.
Saturno, depois de examinar por algum tempo o rosto do impiedoso deus, empunhou a
foice e pensou consigo mesmo: "Realmente... demasiado soturno."
E fez descer o terrível gume, logo abaixo da cintura do pobre Céu.
Um grito terrível, como jamais se ouvira em todo o Universo, ecoou na abóbada celestial,
despertando toda a criação.
— Quem ousou levantar mão ímpia contra o soberano do mundo? — gritou o Céu, com
as mãos postas sobre a ensangüentada virilha.
— Isto é pelos tormentos que infligiu à minha mãe, bem como a mim e a meus irmãos —
respondeu Saturno, ainda a brandir a foice manchada de sangue.
Os testículos do Céu, arrancados pelo golpe certeiro da foice, voaram longe e foram cair
no oceano, com um baque tremendo. Em seguida, o deus ferido caiu, exangue, sobre seu leito
acolchoado, sem poder dizer mais nada. As nuvens que lhe serviam de leito tingiram-se de um
vermelho tal que durante o dia inteiro houve como que um infinito e escarlate crepúsculo.
Saturno, eufórico, foi logo contar a proeza à sua mãe.
— Isto é que é filho — disse a Terra, abraçada ao jovem parricida. Imediatamente foram
soltos todos os outros Titãs, irmãos de Saturno. Este, por sua vez, recebeu a sua recompensa: era
agora o senhor inconteste de todo o Universo.
Quando a noite caiu, entretanto, escutou-se uma voz espectral descer da grande cúpula
côncava dos céus:
— Ai de você, rebento infame, que manchou a mão no sangue do seu próprio pai! Do
mesmo modo que usurpou o mando supremo, irá também um dia perdê-lo...
Saturno assustou-se a princípio, mas em seguida ordenou a seus pares que recomeçassem
os festejos.
— Ora, ameaçazinhas... Deus morto, deus posto! — exclamou, com um riso talhado no
rosto.
Mas aquela profecia, irritante como um mosquito, ficara ecoando na sua mente, até que
Saturno, por fim, reconheceu-se também meio soturno:
— Será que uma vitória, neste mundo, não pode ser nunca completa?