"Cada jovem - estou falando de modo geral, não dos indivíduos
raros -enfrenta os pais com antagonismo porque, tendo-he sido prometido
tudo, compreende agora que isso não vai acontecer, e a rejeição, o desapontamento
por uma promessa não-cumprida, une-se à reprovação dirigida aos pais.
Não conhecem a própria história como espécie, nem as razões reais da sua condição:
não sabem de nada, não compreendem coisa alguma, mas estão convencidos,
pela arrogância da sua educação, de que são os herdeiros intelectuais de todo o conhecimento
e de toda a compreensão. Contudo, a cultura se desmoronou, e é odiada
pelos jovens. Eles a rejeitam enquanto se agarram a ela, a exigem, tiram dela
tudo o que podem tirar. E, por causa desse ódio, mesmo aquilo que é bom e perfeito
e útil nos valores tradicionais, é rejeitado. E, assim, cada jovem vê-se subitamente
enfrentando a vida sozinho, sem normas ou regras, ou leis, ou mesmo alguma
informação na qual possa confiar. Como acreditar que da anarquia brutal que os
rodeia possa sair algo de bom? Contudo, estão equipados para fazer julgamentos, e
para usar a mente de certo modo -assim lhes ensinaram. São equipados para ser
auto-suficientes e capazes de julgamento individual, e começam então a cinzelar
seus territórios emocionais com a crueldade total e o interesse pessoal característicos
das faixas do Noroeste, desde quando esses animais dominaram o mundo saqueando
e pilhando -mas agora não se trata apenas dos povos dessas faixas, mas
de todos, em todos os lugares. Pois, à sua frente, estende-se essa longa vida, sem
fim, sem fronteiras -têm tempo para corrigir erros, mudar de caminho, transformar
o errado em certo... "

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